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A Astrologia e suas interfaces
Publicado em: 14/09/2011
Por: Walter Doege
A astrologia é um conhecimento milenar que tem pelo menos uma função: ser um instrumento para a vida e a existência humana terem sentido, propósito, meta. A percepção do amor e da importância vital de amar. Atravessa seu próprio percurso há cerca de três mil anos. É um saber com conhecimento que advém de lançar um olhar para as estrelas e se maravilhar com o que se vê. Esta visão exigiu um olhar específico na medida em que, ao me ater neste artigo ao mapa natal, ao olhar o firmamento algumas estrelas foram apreendidas e intuídas como uma grande paisagem na qual estamos inseridos e mais, a percepção de uma unidade, de sermos integrantes deste universo.
Além do Sol e da Lua, luminares que marcam o tempo (um dia, um mês, as nove luas cheias de uma gestação...) e orientam os viajantes no espaço (a navegação à vela das grandes embarcações dependeu da engenharia naval e da criação da bússola mas, antes, a navegação foi possível pela observação do movimento a partir de um ponto fixo, ou vários pontos fixos). Onde o Sol nasce é leste e assim estabelece-se os pontos cardeais: oeste, norte, sul. Percebe-se algumas estrelas que se destacam:
Marte, visto pela manhã, Vênus, visto à tardinha e à noite, Mercúrio, Saturno e Júpiter, todos denominados de planetas pessoais. Seus ciclos são rápidos: o trânsito do sol demarca o dia, a lua (que permanece cerca de dois dias em cada signo) surge vibrante e sua luz encanta as noites, Marte impõe movimento, Mercúrio rege a comunicação e o pensamento, Júpiter é expansivo e alegre e Saturno limita os excessos. São trabalhados também Urano, o mágico e mutante, Netuno, o místico e Plutão, reconhecido mais recentemente, rege o envelhecer e o grande mistério da vida e da morte.
É muito interessante observar que foram atribuídos pelos antigos astrólogos estes nomes em função da mitologia, tamanha é a influência deste olhar para o céu estrelado que também nos olha. Ao nos entregarmos para este olhar é possível sentir esta unidade do cosmos e nós.
Por tradição a organização do tempo do cotidiano (mês, semana, dia, hora...) é vigente até os dias atuais. Se lembrarmos da língua espanhola este exemplo fica nítido: domingo é regido pelo sol (sunday, em inglês), segunda-feira, lunes, é regido pela Lua, terça-feira, martes, é regido por Marte, quarta-feira, miércoles, é regido por Mercúrio, quinta-feira, jueves, é regido por Júpiter, sexta-feira, viernes, é regido por Vênus e sábado por Saturno.
As interfaces da Astrologia com a geometria permitiram, justamente, a construção do mapa astrológico que atualmente é um círculo (na astrologia oriental hindu e chinesa e em outras culturas foi um quadrado ou um retângulo). No entanto, este círculo é tridimensional, pois representa uma esfera: o cosmos e, na linguagem astrológica, o Zodíaco. O mapa bidimensional representa uma esfera: este lar e este mar de estrelas.
A Astrologia deve manter contato com outras disciplinas e com o ambiente sociocultural para ocorrer uma integração necessária sem que nenhuma das disciplinas perca sua individualidade. A interface com a Medicina, a Psicologia, a Psicanálise, os eventos de uma pessoa, os eventos mundiais, a Educação e, sobretudo, o desenvolvimento infinito da ética são algumas disciplinas deste contato. É um adágio conhecido por quem tem mais familiaridade com a astrologia e com as estrelas que os trânsitos destes planetas inclinam mas não determinam uma vida.
Conhecer e elaborar o próprio mapa natal é a forma mais segura de contato com esta disciplina das estrelas porque possibilita autoconhecimento e, principalmente, nos lembra do fundamental: entre o livre arbítrio e o destino que cada um de nós pode escolher. A capacidade de escolher com consciência é atributo eminentemente humano.
Assim, a experiência astrológica é marcante, cativante, se olharmos e enxergarmos no céu o que está representado no mapa. Os movimentos dos planetas no céu, os trânsitos, afetam a posição que cada planeta ocupa em nosso mapa quando nascemos: da comparação do mapa do céu em algum momento com o mapa natal oportuniza termos consciência do que o mistério de viver nos exige naquele momento. Quando este momento é o do aniversário forma-se o mapa da revolução solar, pois a cada aniversário novas demandas, exigências, desafios, dores, sofrimentos e, sobretudo, a abertura honesta para o amar e para a alegria são-nos oferecidos. Cabe aos astrólogos divulgarem e educarem um público maior para este valioso instrumento.
Afirmo que a cada alegria, a cada ato de amar...olha-se para o alto, eleva-se a cabeça a alma... Como quando estamos tristes olhamos para o chão ou quando não enxergamos coisa alguma pois fechamos os olhos. Os olhos são a janela da alma, já foi escrito. Para cada lágrima que rola na face de uma pessoa virtuosa nasce uma estrela.
