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Ensaio de carnaval

Publicado em: 02/02/2012

Por: Walter Doege

Como aproveitar as férias

O período de férias é um período dedicado ao descanço, ao relaxamento, ao divertimento, viagens, estar com a família, com os amigos, a uma relativa oferta de mais tempo para si propício, à reflexão, à meditação, ao sono, ao repouso, a uma expansão de lugar, a um mudar de ares,  ao repouso e às atividades físicas como praticar um esporte, ter tempo para sentir o pôr do sol, para sentir um céu estrelado, para sentir a lua, para ler,  para sentir a si mesmo e às pessoas próximas e às pessoas em geral, para sentir a natureza.

Talvez por isto o período de férias tradicional no Brasil ocorra nos meses de janeiro e fevereiro, quando as férias escolares permitem, e é tempo de verão. Estar na praia e em lugares aprazíveis, não necessariamente paradisíacos... é quase imperioso. Esta relativa folga de tempo permite afastarmo-nos dos compromissos cotidianos de trabalho e outros afazeres e obrigações. Dormir mais, relaxar, divertir-se, viajar enquanto uma experiência importante faz bem para a saúde. Perceber  e desfrutar a liberdade. Quem consegue realmente desfrutar as férias? De fato e a rigor, raras pessoas.

A qualidade das férias - e não exatamente a quantidade de tempo disponível - é determinada em larga medida por como uma pessoa trabalha, honra seus compromissos e vive seu cotidiano. Se uma pessoa vive bem seu cotidiano viverá bem suas férias, férias que admitem outros modelos. E esta qualidade depende da qualidade do trabalho cotidiano.

Quanto mais distante um trabalho estiver da vocação e capacidades de uma pessoa maior prejuízo para as férias, pois será apenas um tempo para desligar-se de algumas coisas. Estas coisas (o próprio trabalho e emprego - distintas atividades), as obrigações e compromissos, os relacionamentos... aguardam um religamento, o término das férias.

Mesmo considerando o final de semana como um pequeno pedaço de férias que habitualmente não é desfrutado adequadamente - observo - a sensação de chegada da segunda-feira, o que acontece no domingo à noite é, habitualmente, desagradável, em geral. Por quê? Eu não sei também mas observo que o fato de as pessoas em geral não viverem bem seu cotidiano é um fator determinante. Pois cada dia deve ser vivido plenamente, seja segunda-feira, seja sexta-feira (dia em que sente-se um certo aívio e euforia), sejam feriados, sejam férias ou não. A qualidade da vida de cada um é determinante para a qualidade de suas férias pois as férias estão envoltas na possibilidade de descanso e viagens, entre outros tantos aspectos.

Cada dia deve ser vivido em uma alternância entre descanso e repouso, entre ocupações e preocupações, entre alegrias e tristezas, entre projetos e circunstâncias que frequentemente impedem suas realizações, entre esforços extremos diante de uma doença e uma perspectiva otimista da vida. Reafirmo que  as pessoas não vivem assim geralmente em nosso mundo contemporâneo tão desafiador para qualquer um de nós porque ameaça o amor. Deste tema ocupa-se o sociólogo Bauman no livro “Amor líquido”, ou seja, nas vidas desperdiçadas.   

O desafio das férias é outro ainda: o de haver a oferta de tempo e lugar (viagens ou não) - não há barco que nos leve para longe de nós mesmos - e sermos capazes de desfrutar com equilíbrio. Observo um desequilíbrio: as pessoas não conseguem estar a sós, estar consigo mesmas e daí esta urgência por cair fora de seu domicílio habitual, sua cidade, seus relacionamentos e lançarem-se perigosamente na ilusão de desligar dos problemas que são inerentes à condição humana, das limitações e circunstâncias cotidianas.

As férias dão a oportunidade que cada um esteja consigo e com os outros (família, amigos, amores, lembranças). Advêm lembranças das férias da infância quando já somos adultos com certa maturidade. Então estar perto das crianças, conviver com as crianças quando possível, e, sobretudo, permitir que a criança que cada adulto é se manifeste em genuína alegria e encantamento...faz com que se conte os dias para a volta às aulas, a volta à vida que não deu um “pauta” para darmos um “play” posterior: isto deve ser a construção de um cotidiano com saúde e pleno de realizações - este equilíbrio, esta alternância entre um repouso e divertimento de verdade e um trabalho satisfatório e construtivo. De fato apenas raras pessoas têm a oportunidade de fazer o que gostam e gostar do que fazem: é quando o trabalho é vocação e as férias apenas férias.
    
Em fevereiro o Carnaval simboliza esta necessidade de estar consigo e estar com os outros. Qaundo a solidão é boa companhia a companhia dos outros é boa também e o carnaval não é apenas uma ilusão coletiva onde a tristeza não tem lugar, os problemas não têm lugar. Anônimos se identificam em um bloco de carnaval pessoal e coletivo em uma celebração festiva. Quando a festa é de verdade então tudo bem, a imaginação e a alegria são uma realidade valiosa mas quando a festa é a exacerbação de ilusões...a Quarta-feira de Cinzas é mais difícil que uma regular segunda-feira.

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Walter Doege

Walter Doege

Biografia:

Médico psiquiatra, psicanalista e astrólogo

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